#ONFS

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Sobre liberdade e solidão

Sobre os versos dos dias,
No preencher da carência,
Dá à voz a incoerência
De seu espírito fecundo.
Diz às estrelas que o guiam
Do vazio tão distante:
“Pode haver mais inconstante
Outra cria do mundo?”.

“Remo nos dias,
No desolar da existência
Vou sobre a afluência
Do mar e do amor.
Sobre tantos naufrágios
Mergulho mais profundo,
Nesse antro moribundo
Sou navio desertor”.

“Em outras vidas, garanto,
Fui lagarta de flores,
Provei seus sabores,
Afofei o chão.
Ondulando entre folhas
Em ondas tão avessas,
Descobri minha singeleza
Ao enfrentar o furacão”.

“Na transição da existência
Sempre fadado ao embaraço,
Era um corpo desvairado
Em meio ao turbilhão.
Nunca cheguei à borboleta,
Destino desalmado!
Mas fui feito abandonado,
Solitária embarcação”.

“Do florescer dos jardins,
Dos casulos aos cascos,

Sou liberdade e solidão”.

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