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domingo, 21 de fevereiro de 2016

Sobre atlas

Nos campos grandes do Sul
Um navegante solitário,
De mau tempo embriagado,
Entre ondas, sem destino.

A solidez dos passos,
Um mero atlas de acasos,
Ao interpretar errado
O desenrolar do caminho.

As chagas do céu
Que se acendem na noite,
Desenham-se como os açoites
Marcados em seu corino

De mil naufrágios previstos
Pelos mapas estelares,
A revelar o destino
Do navegante perdido.

"Não hei de crer na sabedoria" - diz -
"Dos astros milenares
Que, apesar dos pesares,
São vãs em seus tinos,

Nem no bater das ondas
Quem me afogam em maldades,
Como se merecedor de uma eternidade
De azares desmedidos".

"Quando me dizem que fique,
Respondo às ondas inconstantes,
Que, antes de tudo, sou errante,
Pouco importam os desatinos.

Mas se me dizem para partir
O faço num instante,
Que, na condição de navegante,
Vivo no meio do caminho".

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