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sexta-feira, 15 de abril de 2016

Dia de chuva

Faz dançar os varais esse vento serelepe,
Quando a chuva ele precede, já se arruma em cobardia.
"Lá vem o temporal, mas ele que não se apresse",
A vizinhança que faz prece, lavando os panos do dia a dia.

Mas as nuvens chegam raivosas: "Quem é que desobedece,
Estende roupa quando acontece o festim da chuvarada?".
O rebolar da tormenta arranca os panos da corda,
Bandeirolas voando embora e a vizinhança na caçada.

"Pega os panos, Dona Nice!", "Olha as roupas do Seu Lau!",
Sob o aguaceiro a traquinice: caça ao tesouro ou ao varal?
E dizem: "As nuvens são como arcas que vazam gotas de cristal",
A vizinhança, assim, animada com a chuvarada no quintal.

(Poema publicado na ediçao nº32/2016 da Revista Cabeça Ativa).

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